Datafolha: Lula lidera disputa com 39% das intenções; Flávio registra 33%

Datafolha: Lula lidera disputa com 39% das intenções; Flávio registra 33%

Brasil Destaque
22 de Agosto de 2026
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No primeiro levantamento do Datafolha desde o início oficial da campanha presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que registra 33%.

O levantamento aponta um estreitamento na disputa, com a distância entre os dois principais concorrentes caindo. Na pesquisa de julho, Lula tinha 40% das intenções contra 32% de Flávio. No mês anterior, os percentuais eram de 41% para Lula e 31% para Flávio. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em um eventual segundo turno, Lula mantém a liderança sobre Flávio Bolsonaro por 47% a 43%. O atual presidente também supera os demais adversários testados nas simulações de segundo turno, batendo Ronaldo Caiado (PSD) por 47% a 40% e Romeu Zema (Novo) por 48% a 38%.

Para a realização do estudo, o instituto ouviu 2.058 eleitores em 127 municípios, em pesquisa registrada sob o código BR-04496/2026 na Justiça Eleitoral.

Disputa pelo 3º lugar e o fator Marçal

Na simulação de primeiro turno, os dois líderes aparecem isolados na dianteira. No segundo pelotão, Ronaldo Caiado (PSD) marca 5%, seguido de perto por Renan Santos (Missão), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 3%.

O candidato Augusto Cury (Avante) registra 2%, enquanto Samara Martins (UP), Wilton Grassi (Democrata), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB) pontuam 1% cada. Eleitores que declaram voto em branco ou nulo somam 8%, e os que não sabem são 3%.

O instituto também testou a candidatura do influenciador Pablo Marçal (PRTB), que obteve uma liminar de última hora para se filiar ao partido, mas permanece inelegível devido a uma condenação penal envolvendo a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024.

Nesse cenário, Marçal atinge 2% das intenções de voto, retirando um ponto percentual de Flávio Bolsonaro, em cuja campanha vinha trabalhando como consultor de estratégia digital.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já proibiu o influenciador de utilizar o fundo partidário ou fazer propaganda televisiva até o julgamento definitivo de seu registro, previsto para ocorrer até 14 de setembro.

Na pesquisa espontânea –em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados–, o cenário mantém a estabilidade: Lula lidera com 32% (ante 30% em julho) e Flávio Bolsonaro pontua 19% (ante 17% no levantamento anterior).

A rejeição aos dois principais nomes também segue equilibrada e divide o eleitorado, com 46% dos entrevistados afirmando que não votariam de jeito nenhum no senador e 45% declarando o mesmo sobre o atual presidente.

Denúncias de corrupção pautam campanha

A primeira semana oficial de campanha foi fortemente pautada por debates sobre corrupção. O levantamento do Datafolha ocorreu entre terça-feira (18) e quarta-feira (19), coincidindo com a revelação de vazamentos da Polícia Federal envolvendo Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente.

A PF apontou uma “comunhão de interesses econômicos” entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente e de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.

As investigações ligam os personagens a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob a acusação de fraudar descontos de aposentadorias. Diante do escândalo, Lula buscou se afastar do caso, afirmando que o filho deve pagar caso tenha cometido irregularidades.

O presidente também afastou Marcola de sua campanha após a revelação de que o ex-assessor recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger. Todos os envolvidos negam as irregularidades.

As denúncias serviram de munição para Flávio Bolsonaro, neutralizando em parte a estratégia do PT de destacar as relações do senador com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master envolvido em um escândalo financeiro. Conversas gravadas revelaram que Flávio cobrou Vorcaro por repasses financeiros destinados à produção de um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse”, no qual o empresário aportou R$ 61 milhões.

Embora tenha explorado o caso Lulinha em seus discursos, Flávio enfrentou protestos e placas de oposição mencionando Vorcaro durante um evento em São Paulo nesta quinta-feira (20).

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão terá início em 28 de agosto, período em que os temas de corrupção e denúncias mútuas devem protagonizar os debates entre as campanhas.

 

Portal Arapuan

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