“Bomba”: em áudio, policial preso detalha pedido a Lucas para nomear delegado suspeito de envolvimento com tráfico

“Bomba”: em áudio, policial preso detalha pedido a Lucas para nomear delegado suspeito de envolvimento com tráfico

Paraíba
20 de Agosto de 2026
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Áudios vazados da Operação Perfidus, que resultou na prisão de três policiais civis suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, mostram uma estranha proximidade entre um dos investigados e o governador Lucas Ribeiro (PP). Pelo menos, na versão dos investigados. A ação, desencadeada em 2 de julho, resultou nas prisões do delegado Braz Morroni e de dois agentes da Polícia Civil.

Na gravação, o policial civil Everton Aires, conhecido como “Bomba”, diz que procurou o governador Lucas Ribeiro ainda antes de ele tomar posse no cargo, o que ocorreu em 4 de abril, e entregou o currículo do delegado próximo a ele, provavelmente Braz Morroni, para que ele assumisse o cargo de superintendente da Polícia Civil. O plano criminoso envolvia o recebimento de informações privilegiadas e o desmantelamento da Draco.

“Nestas últimas semanas, a gente pegou o currículo do delegado da gente e levou para Lucas, né, que vai assumir o governo do Estado. Que a gente está vendo se ele consegue emplacar para ser superintendente. Porque, ele sendo superintendente, a gente consegue ter mais acesso, entendesse, controle de informação e consegue desmanchar essa porra dessa Draco”, diz Bomba na gravação.

No mesmo áudio, o policial lamenta problemas internos na corporação que poderiam impedir o avanço do plano. “Aí, talvez, eu acredito que uma fuleragem dessa de fevereiro, o currículo dele deve ter chegado na Secretaria e aí, como ele estava comigo na situação, aí devem estar querendo ver se melam o currículo do cara para ele não deixar ele assumir, entendesse. Isso está me cheirando a politicagem”, acrescentou.

Bomba, Eduardo Jorge (Mão Branca) e Braz Morroni são investigados por suposta participação em organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Segundo a Polícia Civil, o grupo contava com a participação de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para favorecer as atividades ilícitas.

Os três foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) neste mês. Eles são suspeitos de atuarem como provedores do material entorpecente, gerenciando os lucros e determinando as diretrizes de venda, prevalecendo-se de suas funções públicas, utilizando viaturas, distintivos, informações privilegiadas e a própria estrutura estatal para subtrair drogas de terceiros, encobrir suas ações e garantir o escoamento seguro do material ilícito.

Ainda de acordo com o Gaeco, os outros quatro denunciados atuavam ativamente na comercialização, contabilidade, mistura (para aumento de volume) e logística de distribuição da droga em João Pessoa, no Sertão Paraibano e no Rio Grande do Norte.

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Poder PB

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