Aumento do nível do mar exige planos de contingência para cidades do Litoral do Brasil

Aumento do nível do mar exige planos de contingência para cidades do Litoral do Brasil

Brasil Destaque
11 de Agosto de 2026
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A ação humana e as mudanças climáticas estão intensificando um fenômeno natural e acendendo um alerta para quem vive no litoral do Brasil: a erosão costeira.

Estudos científicos apontam que o Brasil perdeu cerca de 15% de sua faixa de areia. Na Paraíba, uma das cidades que vêm sofrendo com esse problema é Baía da Traição, no Litoral Norte. Nos últimos anos, o município tem sentido os efeitos do avanço do mar, que já provocou a destruição de casas e estradas, além de alagamentos.

Uma pesquisa divulgada recentemente pela NASA aponta que a elevação do nível do mar está ocorrendo em um ritmo maior do que o previsto. Entre 1993 e 2024, o nível global dos oceanos aumentou, em média, 10 centímetros.

Parte desse aumento é causada por dois fatores: o derretimento das geleiras continentais e a expansão térmica das águas provocada pelo aquecimento.

O assunto foi um dos temas do Encontro Mundial de Jornalistas (E-Mundi), realizado em São Paulo, que debateu os impactos socioeconômicos causados pelas mudanças climáticas. Eduardo Assad, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa, professor do FGVAgro e membro do comitê científico do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, alerta que o aumento do nível do mar já vinha sendo apontado há pelo menos três décadas.

“Os estudos que a gente tem trabalhado sobre mudanças do clima, desde 30 anos atrás, apontam que o nível do mar vai subir — e já está subindo — por conta de diversos fatores, entre eles o degelo dos polos, que está aumentando esse nível. Isso traz consequências importantes para as regiões litorâneas”, disse.

Eduardo Assad. (Foto: Léo Barrilari/e-mundi)

Para o pesquisador, o Brasil precisa começar a agir o quanto antes para evitar que o avanço do mar traga consequências ainda mais graves no futuro. Eduardo Assad citou o exemplo de países europeus, como a Holanda, que começou a construir diques como forma de contenção, e lembrou de Santos como uma cidade brasileira que já começou a traçar seu plano para lidar com o aumento do nível do mar.

“Eu já vi, no Nordeste, em algumas regiões, mas não lembro de ter visto nenhum dique sendo construído para evitar que isso avance. Tem que começar a fazer. Vai acontecer, está acontecendo aí em pequena escala. Não chegou a um nível muito forte, mas já tem. As ressacas estão cada vez mais fortes, e a gente tem que fazer esse plano de contingência e criar os dissipadores de energia, senão vai chegar ao nosso pé”, alertou.

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