Tensão no Oriente Médio eleva preço do petróleo e até shampoo pode ficar mais caro

Tensão no Oriente Médio eleva preço do petróleo e até shampoo pode ficar mais caro

Brasil Destaque
4 de Março de 2026
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O preço do barril de petróleo tipo Brent atingiu a marca de US$85 nesta semana, impulsionado pela escalada do conflito militar entre Irã, Israel e Estados Unidos. A alta global da commodity gera preocupações sobre os reflexos diretos na economia do Brasil, com risco de repasses aos preços e pressão sobre a inflação nos próximos meses.

A principal preocupação é o bloqueio logístico e geopolítico no Estreito de Ormuz. Localizada no litoral iraniano, a região representa uma rota estratégica crucial por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo global. A restrição na área afeta diretamente a distribuição do produto para diversos continentes.

Além da interrupção do tráfego marítimo, os pontos de atenção incluem a pausa parcial da produção e do refino de gás no Catar e na Arábia Saudita.

Para a pesquisadora da FGV-EESP, Tatiana Pinheiro, a manutenção do bloqueio ditará os rumos da cotação da matéria-prima.

A especialista avalia que, caso o fluxo de navegação permaneça interrompido pelas próximas quatro semanas, conforme algumas projeções indicam, o petróleo tem potencial real para alcançar a expressiva marca de US$ 100.

Segundo a pesquisadora, um cenário extremo como esse traria efeitos expressivos e imediatos para o Brasil. O impacto direto ocorreria nos custos logísticos e nos combustíveis, afetando com força os valores da gasolina e do diesel nas bombas.

Os reflexos indiretos na cadeia produtiva também acendem um forte alerta. Conforme aponta a economista, a alta contínua do petróleo atinge em cheio as operações diárias das indústrias química e de plásticos.

“O óleo do petróleo está na cadeia química e na cadeia de plásticos, então, consequentemente, está em tudo o que a gente consome. Nos eletrodomésticos, que tem bastante componente de plástico, nos carros que tem bastante componente de plástico e em toda a parte de cuidados pessoais.

Porque são produtos químicos:  shampoo, sabonete, detergente de louça, alvejante. O preço do petróleo vai além do combustível para carro”, explica a economista.

O repasse do encarecimento da matéria-prima para o consumidor final, de acordo com Tatiana Pinheiro, não ocorre imediatamente nas prateleiras dos supermercados. A pesquisadora estima que a elevação chegue ao bolso do cidadão brasileiro em um intervalo de um a três meses.

Esse prazo de absorção, ela explica, depende essencialmente do volume de estoques que as empresas nacionais possuem atualmente. Assim que os insumos antigos acabarem, as reposições já refletirão a nova realidade de preços do mercado.

O ambiente de instabilidade militar também provocou reações severas nos mercados globais logo nas primeiras sessões financeiras da semana. Bolsas asiáticas, como as da Coreia do Sul e do Japão, registraram quedas abruptas e expressivas.

Os principais índices acionários europeus e americanos seguiram a mesma tendência de baixa ao longo das negociações.

Para o planejador financeiro Marcelo Bolzan, o atual contexto exige extrema cautela e frieza por parte de quem aplica recursos.

Ele avalia que o aumento do risco internacional gera um movimento natural de fuga de capitais para portos seguros. Essa dinâmica impulsiona a moeda norte-americana e derruba os ativos de renda variável no Brasil.

Hoje foi um dia de preocupação. E a grande dúvida é o tempo que será resolvido. Quanto tempo esse Estreito de Ormuz ficará fechado? Até que patamar de preço o petróleo pode chegar? Então tudo isso tem trazido um nível de apreensão maior aos mercados. Então é aquele movimento de aversão global, que é queda das bolsas, dólar subindo, né? O investidor procurando aqui o porto seguro. E neste momento, não é a hora, né, de mudar da água pro vinho”.

Nesta terça-feira (3), o presidente Donald Trump declarou que o país não atingiu o nível desejado em termos de armamento avançado. Contudo, ele enfatizou que o país possui reservas “praticamente ilimitadas” de munições de médio e médio-alto alcance, sugerindo que conflitos poderiam ser travados “para sempre”.

Para Bolzan, o prolongamento do conflito e a disparada dos preços dos combustíveis pode acelerar a inflação e pesar nos bolsos dos norte-americanos.

“Em relação ao tempo necessário para a resolução do conflito, Trump indicou um prazo inicial de quatro a cinco semanas. No entanto, ele ressaltou a possibilidade de estender a guerra de forma indefinida, dada a capacidade bélica para mantê-la pelo tempo que for preciso. É importante notar que a escalada do preço do petróleo não é favorável nem mesmo para ele. Lá, o reajuste nos preços dos combustíveis é imediato, ao contrário do Brasil, onde a Petrobras segue regras específicas de reajuste, o que pode impactar a inflação.”

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